O sentido do sacrifício

o mal e a salvação em René Girard

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2236-9937.2022v26p222-251

Palavras-chave:

sacrifício, mal, salvação, violência, bode expiatório

Resumo

Se Jesus Cristo é o Messias, a redenção ocorreu desde o evento da Paixão e, por isso, não se justifica, em toda a cristandade, a reprodução da violência mimética. Mas se, de fato, o cristianismo é libertador, porque o universo cristão persiste na violência, aliás, para muito além dos limites do próprio ritual sacrificial realizado em diversas sociedades não secularizadas? Qual é a razão da reafirmação dos estereótipos – e da criação de novos estereótipos - e, com isso, da disseminação do preconceito, ambiente no qual o sacrifício cede espaço para a vingança cada vez mais ampliada, que aflui para a generalização? Em linguagem teleológica, por que, apesar da salvação por Jesus Cristo, o mal permanece no mundo? O pensador francês René Girard traz luzes acerca desta temática. A partir de sua obra, e referenciado pelas questões aqui anunciadas, o presente artigo perscruta o esquema do bode expiatório e a interpretação girardiana acerca do mal associado à violência, bem como da salvação, vinculada ao evento histórico da morte de Cristo.  

Biografia do Autor

Bianca Vicêncio Leis, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Mestranda em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Contato: bianca.vccleis@hotmail.com

Glauco Barsalini, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Pós-Doutor em Teologia pela Loyola University Chicago, Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas e Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião e da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de Campina (PUC-Campinas). Contato: glaucobarsalini@gmail.com

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Publicado

2022-05-20