Nenhum nome serve para dizer o fogo

espiritualidade e poesia em José Tolentino Mendonça

Autores

  • Marcio Cappelli Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)

DOI:

https://doi.org/10.23925/2236-9937.2022v27p297-321

Resumo

O artigo quer explorar a hipótese de que a poesia de José Tolentino Mendonça mantém uma relação com o universo da espiritualidade, ou, dito de modo mais específico, a ideia de que a própria poesia pode ser entendida como um exercício espiritual. Para dar a ver essa característica da poesia de José Tolentino Mendonça, percorreremos o seguinte caminho: 1) procuraremos oferecer um panorama contextual resumido de sua obra poética, ressaltando, com auxílio da fortuna crítica, a sua relação com a religião; 2) buscaremos mostrar, especialmente a  partir de um ensaio recente, como o próprio José Tolentino Mendonça aproxima a experiência poética da espiritualidade; 3) e, por fim, como isso se reflete de maneira evidente em alguns poemas. Desse modo, pretende-se evidenciar que a poesia do autor se constrói num movimento de apropriação da tradição espiritual cristã em modo de “torção”, como um esforço de despojamento e reconhecimento da fragilidade e dos potenciais dos poemas para dizer o indizível.

Biografia do Autor

Marcio Cappelli, Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)

Doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCRJ). Professor no Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Contato: alocappelli@gmail.com

Referências

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Obra poética. Lisboa: Assírio & Alvim, 2015.

BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 2018.

BATAILLE, Georges. A literatura e o mal. Belo Horizonte: Autêntica, 2015

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.

BLOOM, Harold. Cabala e crítica. Rio de Janeiro: Imago, 1991.

BREMOND, Henri. Prière et poésie. Paris. B. Grasset, 1926.

CERTEAU, Michel de. A fábula mística – séculos XVI e XVII. v.1. Rio de Janeiro: Forense, 2015.

CERTEAU, Michel de. La debilidad de creer. Buenos Aires: Katz, 2006.

CHILDS, Donald J. T. S. Eliot: mystic, son, and lover. London: Athlone Press, 1997.

CUPITT, Don. Mysticism after modernity. Malden, Mass.: Blackwell Publishers, 1998.

HADOT, Pierre. Não se esqueça de viver: Goethe e a tradição dos exercícios espirituais. São Paulo: É Realizações, 2019.

JAURRETCHE, Colleen. The sensual philosophy: Joyce and the aesthetics of mysticism. Madison, Wis.: University of Wisconsin Press, 1997

KUSCHEL, Karl-Josef. Os escritores e as escrituras: retrato teológico-literários. São Paulo: Loyola, 1999.

LOSSO, Eduardo. Teologia negativa e Theodor Adorno. A secularização da mística na arte moderna.Tese (Doutorado em Teoria da Literatura). Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007.

LOSSO, Eduardo. Walter Benjamin. Ascese da escrita: entre o coletivo e o individual. In: BINGEMER, Maria Clara, CAPPELLI, Marcio, PINHEIRO, Marcus Reis (orgs.). Mística e Ascese: da tradição platônica à contemporaneidade. Rio de Janeiro/Petrópolis: Ed. Puc-Rio/ Vozes, 2020, pp. 107-128.

MARITAIN, Jacques, MARITAIN Raïssa. Situation de la poésie. Paris: Desclée de Brouwer, 1938.

MENDONÇA, José Tolentino. A noite abre meus olhos. 4ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 2014.

MENDONÇA, José Tolentino. Creio na nudez da minha vida – onde a mística e a literatura se encontram. In: BINGEMER, Maria Clara; VILLAS BOAS, Alex (orgs.). Teopoética: mística e poesia. Rio de Janeiro/São Paulo: Ed. Puc-Rio/Paulinas, 2020, pp. 21-34.

MENDONÇA, José Tolentino. Introdução à pintura rupestre. Lisboa: Assírio & Alvim, 2021.

MENDONÇA, José Tolentino. Teoria da fronteira. Lisboa: Assírio & Alvim, 2017.

MOURÃO, José Augusto. A noite abre meus olhos - Em volta da poesia reunida de Tolentino Mendonça, 2010. Disponível em: https://www.snpcultura.org/id_jose_tolentino_mendonca_a_noite_abre_meus_olhos.html. Acesso em: 27/07/2022.

MURRAY, Paul. T. S. Eliot and mysticism: the secret history of Four quartets. Basingstoke, Hampshire: Macmillan, 1994.

PAZ, Octavio. A busca do presente e outros ensaios. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2017.

PAZ, Octavio. O arco e a lira. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

PAZ, Octavio. Os filhos do barro: do romantismo às vanguardas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

REYNAUD, Maria João. José Tolentino Mendonça: o ofício incerto das palavras. In: Rassegna Iberistica, n. 95, vol 1, 2012. Disponível em: http://157.138.8.12/jspui/bitstream/11707/6695/1/95.5%20jose%20tolentino.pdf. Acesso em: 25/07/2022.

RIBEIRO, Anabela Mota. José Tolentino Mendonça, 2012. Disponível em: https://anabelamotaribeiro.pt/jose-tolentino-mendonca-73288. Acesso em: 27/07/2022.

SHOLEM, Gershom. A cabala e seu simbolismo. São Paulo: Perspectiva, 1978.

STEINER, George. Tolstói ou Dostoiévski. São Paulo: Perspectiva, 2006.

VATTIMO, Gianni. Depois da cristandade. São Paulo: Record, 2000.

WILLER, Claudio. Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia moderna. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

WILLIAMS, Tomás A. Mallarmé and the language of mysticism. Athens: Univ. of Georgia Press, 1970.

WOLOSKY, Shira. Language mysticism: the negative way of language in Eliot, Beckett, and Celan. Stanford, Calif.: Stanford Univ. Press, 1995.

Downloads

Publicado

2022-09-09