Trauma, Cura, Comunidade: As Faces de Cristo em Amada, de Toni Morrison

José de Paiva dos Santos

Resumo


Este artigo tem como objetivo fazer uma análise de Amada, de Toni Morrison, com foco especial nos elementos intertextuais bíblicos acerca de Jesus e seu ministério. Usando como pano de fundo as reflexões da teologia da libertação negra, argumenta que em Amada Morrison investe seus personagens de características cristológicas com o propósito principal de interrogar formas eurocêntricas de se fazer teologia, ou seja, um teologizar insensível aos anseios, necessidades e sofrimentos das comunidades negras afetadas pelo racismo e opressão fruto da supremacia branca. No romance, Morrison privilegia uma reflexão que abraça princípios, símbolos e elementos da fé cristã, mas que os coloca no contexto da espiritualidade e cultura das comunidades afrodescendentes. Assim, surge um teologizar mais contextual, que valoriza formas e expressões locais de se pensar a relação com a Alteridade.  


Palavras-chave


Cristianismo; Literatura afroestadunidense; Morrison; Religião; Teologia.

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DOI: https://doi.org/10.23925/2236-9937.2020v20p229-249

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