Ensino-aprendizagem de Línguas em Contextos (super)diversos: possibilidades e desafios para as políticas públicas nacionais

Paula Tatiana Silva Antunes, Grassinete C. de A. Oliveira, Adolfo Tanzi Neto

Resumo


As (inter)ações econômicas, sociais, políticas, tecnológicas e culturais, por terem transformado o modo como vivemos, convidam-nos a um necessário deslocamento para que compreendamos a globalização como um fenômeno complexo, o qual, das mais diferentes formas, atravessa a vida humana e nela atua. Com a acentuada ruptura das noções de espaço e tempo, novas práticas de informação e de comunicação ocasionaram novos movimentos, tornando intensos, viáveis e rápidos os fluxos globais e o contato entre as pessoas.Fato é que a mobilidade e a complexidade de tais fluxos, causaram desdobramentos e evidenciaram os desafios encontrados nas relações humanas, nelas incluídas as práticas de linguagens que ainda insistem em uma perspectiva sistêmica, estável, normativa e monolíngue de língua, diferentemente do que postula Canagarajah (2013), ao propor que devemos ter uma orientação translíngue, tendo em vista que devem ser compreendidas como formas de práticas comunicativas e não como variedades estáveis.  Para Blommaert e Rampton (2011), o pensamento translíngue desafia a visão de língua como algo autônomo, estruturado, restrito a grupos fechados de falantes, autodenominados proprietários dessa língua, pois, para que se perceba o  translinguismo,  faz-se necessário observar o caráter situado e local das práticas sociais, que são desenvolvidas por meio da negociação de sentidos, pela mobilidade, pelo conflito e pela complexidade (CANAGARAJAH, 2013), sendo estes constantemente ressignificados e revalidados no meio social.É diante desse cenário e, por considerar de suma importância que diferentes práticas discursivas sejam apresentadas em decorrência de novas práticas educativas, capazes de permitir aos sujeitos a possibilidade de adquirirem mobilidades para atuarem em contextos comunicativos diversos, convidamos você(s) para um diálogo crítico/reflexivo de como pensar questões de ensino-aprendizagem de línguas em contextos cada vez mais moventes, translíngues e (super)diversos.  

Organizadores: Profa. Dra. Paula Tatiana Silva Antunes (UFAC),  Profa. Ma. Grassinete C. de Albuquerque Oliveira (UFAC),  Prof. Dr. Adolfo Tanzi-Neto (UFRJ) e Profa. Dra. Fernanda Liberali (PUC-SP).


Palavras-chave


Superdiversidade, Ensino de Línguas, Formação de Professores

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DOI: https://doi.org/10.23925/2318-7115.2018v39i2a2

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