POTENCIALIDADES DA TEORIA DO DISCURSO PARA ANÁLISE DA POLÍTICA CURRICULAR DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES (1996-2006): DEMANDAS, ANTAGONISMOS E HEGEMONIA

Kátia Costa Lima Corrêa de Araújo

Resumo


Neste artigo discutimos a potencialidade da teoria do discurso para análise do debate da política curricular (1996-2006), considerando demandas, antagonismos e hegemonia. Trata-se dos resultados de uma pesquisa cujo objeto de estudo é o debate da política curricular de formação de professores e os sentidos do estágio supervisionado (1996-2006). Em consonância com a teoria do discurso, defendemos a tese de que o referido debate é um campo de articulação discursiva e de disputas hegemônicas de significação em torno de projetos de sociedade, educação e currículo para a formação de professores. Especificamente identificamos as demandas, os antagonismos e as disputas hegemônicas de significação nos documentos da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação - ANFOPE, e analisamos os processos hegemônicos a partir da lógica da equivalência e da diferença nos documentos curriculares do Ministério da Educação/Conselho Nacional de Educação - MEC/CNE. Construímos um método de análise com base no arcabouço teórico da teoria do discurso de Laclau e Mouffe (1987), na perspectiva da problematização/desconstrução dos discursos, demonstrando como se opera a sua hegemonização.

 


Palavras-chave


Política curricular; Formação de professores; Base comum nacional; Hegemonia.

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DOI: https://doi.org/10.23925/1809-3876.2019v17i3p1144-1169

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