James Hutton e sua Filosofia da Luz, Calor e Fogo (1794)

Autores

  • Maria Carolina Ramos UNICAMP
  • Pedro Wagner Gonçalves Unicamp

DOI:

https://doi.org/10.23925/2178-2911.2026v33p240-254

Resumo

Resumo

Este artigo trabalha com os conceitos apresentados por James Hutton em sua obra A Dissertation upon the Philosophy of Light, Heat, and Fire (1794), destacando como o autor combina análise conceitual e a realização de experimentos para esclarecer as relações existentes entre luz, calor e fogo, sob o pressuposto da uniformidade da natureza e com refutando hipóteses ad hoc. Sustenta-se que, em Hutton, “experimento” é pergunta dirigida à natureza a partir de uma proposição teórica clara, de modo que a inteligibilidade pública do procedimento (definições, encadeamento de passos e condições de prova) é o fundamento da replicabilidade A luz é concebida como “substância solar” em movimento, agente primário; o fogo é o processo de extricação da luz “fixa” contida nos combustíveis; o calor é o estado/efeito produzido quando essa substância entra em combinação com a matéria, distinguindo-se “temperatura” como grau instrumentalmente mensurável, sem confusão com a quantidade de calor, inclusive em formas latentes.. O texto dialoga criticamente com autores do período tais como Prévost, Pictet, Lambert, De Luc, Lavoisier e reinterpreta a tradição flogística, articulando fenômenos de “trocas” radiantes e a noção de “luz invisível” para explicar dissociações entre poder luminoso e poder aquecedor, incluindo o “frio refletido” como redução de fluxo térmico. Portanto, Hutton através de seus experimentos dispensa o “calórico” como fluido autônomo, integra combustão, aquecimento e emissão luminosa sob um princípio unificador e, nesse movimento, propicia a passagem da filosofia natural para uma ciência embasada em processos.

Palavras-chave: Hutton; luz invisível; substância solar; calor; temperatura; filosofia natural; replicabilidade.

 

Abstract

This paper reconstructs, based on the attached summary, the conceptual architecture in James Hutton’s Dissertation upon the Philosophy of Light, Heat, and Fire (1794). Under the assumption of nature’s uniformity and a rejection of ad hoc entities, Hutton defines experiment as a question to nature grounded in a clear theoretical proposition, making public intelligibility and reproducibility central to physical inquiry.. Light is treated as “solar substance in motion,” the primary agent; fire is the extrication of “fixed light” from combustibles; heat is the resultant state/effect when that substance combines with matter, while temperature is an instrument-read degree not to be conflated with heat quantity, including latent forms. The paper also situates Hutton’s dialogue with Prévost, Pictet, Lambert, De Luc, and Lavoisier, and explains how comparative trials support “invisible light” and reinterpret “cold reflection” as reduced thermal flux rather than negative entities It concludes that Hutton’s parsimonious causal economy dispenses with caloric as an autonomous fluid and integrates combustion, heating, and luminous emission under a unified principle.

Keywords: Hutton; invisible light; solar substance; heat; temperature; natural philosophy; replicability.

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Publicado

2026-09-07

Como Citar

Ramos, M. C., & Gonçalves, P. W. (2026). James Hutton e sua Filosofia da Luz, Calor e Fogo (1794). História Da Ciência E Ensino: Construindo Interfaces, 33(2), 240–254. https://doi.org/10.23925/2178-2911.2026v33p240-254