Neurociência na Formação do Professor de Matemática: Revisão Bibliográfica de Teses e Dissertações
DOI:
https://doi.org/10.23925/2358-4122.74478Palavras-chave:
Formação de Professores, Educação Matemática, Ensino de Matemática, Neurociência CognitivaResumo
Este artigo investiga como pesquisas brasileiras têm abordado a neurociência cognitiva na formação de professores que ensinam matemática, considerando tanto a formação inicial quanto a continuada. Parte-se do pressuposto de que compreender os processos cognitivos envolvidos na aprendizagem, tais como, atenção, memória, emoção e raciocínio, pode oferecer subsídios relevantes para a prática pedagógica em matemática. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, realizada a partir da análise de teses e dissertações disponíveis na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Inicialmente, foram catalogados 35 trabalhos que articulam neurociência e Educação Matemática, a partir dos quais se selecionou um recorte mais específico composto por 12 pesquisas que abordam de modo explícito a formação do professor de matemática. A análise dos trabalhos foi orientada por categorias temáticas definidas a priori, permitindo examinar o papel atribuído à neurociência como referencial teórico, sua aplicação em práticas pedagógicas e ações formativas, bem como a identificação de lacunas na formação docente. Os resultados indicam que, na maioria das pesquisas analisadas, a neurociência não aparece de forma meramente ilustrativa, mas como um fundamento teórico estruturante, influenciando o desenho metodológico, a análise dos dados e o desenvolvimento de propostas pedagógicas. Observa-se, ainda, um investimento significativo na aplicabilidade prática dos conceitos neurocientíficos, por meio de sequências didáticas, oficinas, intervenções pedagógicas e ações de formação de professores. Paradoxalmente, os estudos também evidenciam que a neurociência, embora consolidada na produção acadêmica, permanece pouco presente nos currículos de formação inicial e continuada de professores, sendo frequentemente apontada como um conhecimento ausente ou insuficientemente explorado. Essa tensão revela a necessidade de revisão curricular e de políticas formativas que promovam uma integração mais sistemática entre Educação Matemática e Neurociência Cognitiva. Conclui-se que o campo apresenta avanços relevantes, mas ainda demanda pesquisas que aprofundem a articulação entre teoria e prática, especialmente no que se refere à formação docente e aos impactos efetivos dessas abordagens no ensino e na aprendizagem da matemática.
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