Representações sociais de professores secundaristas acerca do cyberbullying e suicídio
DOI:
https://doi.org/10.23925/2594-3871.2025v34i2p397-419Palavras-chave:
Cyberbullying, Suicídio, Representações Sociais, Educação Emocional, Saúde MentalResumo
O objetivo do estudo foi analisar as representações sociais (RS) de professores do ensino secundário sobre o cyberbullying e o suicídio no contexto escolar, identificando seus impactos emocionais e comportamentais. A pesquisa buscou subsidiar estratégias de prevenção e promoção da saúde mental em adolescentes. Adotando a Teoria das Representações Sociais, especificamente a abordagem estrutural, trata-se de um estudo exploratório, transversal e de abordagem quanti-qualitativa. Realizada no Tocantins com 38 professores, os dados foram coletados pelo Teste de Associação Livre de Palavras (TALP) e analisados pelo software EVOC 2005. Os resultados para “cyberbullying” revelaram um núcleo central ancorado em “crime virtual” e elementos de contraste como “exclusão” e “punição”, destacando a percepção da gravidade jurídica e do impacto social. Para “suicídio”, a RS estruturou-se em torno da “ansiedade” como núcleo central, indicando o sofrimento psíquico mais visível aos docentes. Contudo, elementos de contraste como “falta de igreja” e “fraqueza” emergiram fortemente, refletindo estigmas e uma visão moralizante. Conclui-se que os professores reconhecem a ansiedade, mas podem subestimar os sinais de depressão, fator mais associado ao risco suicida. Os achados reforçam a urgência de capacitações docentes focadas na desmistificação de crenças e na qualificação do reconhecimento de diferentes formas de sofrimento psíquico no ambiente escolar.
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