Trans:humanismo (h-) e audiovisual
imagem, mente e teoria quântica nas fronteiras do humano
DOI:
https://doi.org/10.23925/1984-3585.2024i2930p59-95Palavras-chave:
humanismo, transumanismo, natural-artificial, ciborgue, estranho, horror, David Cronenberg, Donna HarawayResumo
Desde meados do século XX, teóricos do audiovisual e cineastas vêm questionando a centralidade do humano no Cinema e estabelecendo alternativas para a figuração de outras formas de vida orgânica e inorgânica na imagem cinematográfica. Propomos aqui os conceitos de “trans:humanismo” e a sigla “H-” como maneiras relacionais de reconstruir a ideia de humanismo fora da chave antropocêntrica, dialogando com a dialética maquinismo-natureza dentro da teoria realista do crítico André Bazin, a presença da tecnologia no horror corporal do cineasta David Cronenberg, o compostismo e o ciborgue como mídia para a filósofa Donna Haraway, e a presença do Estranho no Cinema para a teoria quântica.
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