Aprendendo a ensinar na formação inicial de professores de matemática: uma análise das concepções discentes
Learning to teaching in the initial education of mathematics teachers: an analysis of students’ conceptions

Elizabete Volkman, Ana Lucia Pereira, Simone Luccas

Resumo


Este artigo discute a formação inicial de professores de matemática e tem como objetivo analisar as concepções que estudantes têm acerca de sua preparação para a docência. Os sujeitos da pesquisa são 39 estudantes que cursavam o último ano do curso de Licenciatura em Matemática em duas universidades estaduais do Paraná, Brasil. Os dados foram coletados por meio de questionários e entrevistas semiestruturadas, e organizados a partir da análise de conteúdo de Bardin (2011), de onde foi possível identificarmos três categorias. Nossos resultados apontam que as concepções dos estudantes acerca da sua formação docente não os preparam totalmente para o exercício da docência; que não há uma articulação entre as disciplinas pedagógicas e específicas; e que há uma disputa entre campos de conhecimento. Nossos resultados apontam também que essa disputa acaba criando um status ou prestígio profissional, que acaba influenciando na decisão em se manter ou abandonar a profissão docente após a finalização do curso. Uma crítica importante dos estudantes revela ainda aspectos importante relacionados a falta na estrutura do curso e de conteúdos mais focados nas capacidades de ensino, fato este que os estudantes frequentemente associaram à ausência de uma identidade do curso.


Palavras-chave


Formação inicial docente; Aprendizagem da docência; Licenciatura em Matemática

Texto completo:

PDF

Referências


BARDIN, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.

BACCON &ARRUDA.(2015). Estilos de gestão da sala de aula: uma análise a partir da ação docente.Práxis Educativa, Ponta Grossa, v.10, n.2, p.467-487, jul./dez.

BOGDAN, R. &BIKLEN, S.(1994). Investigação qualitativa em Educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Portugal: Porto Editora.

BOURDIEU. P. (1983). Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero.

BOURDIEU.P. (2004a). Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense.

BOURDIEU, P.(2004b). Para uma sociologia da Ciência. Trad. Pedro Elói Duarte. Lisboa, Portugal: Edições 70, 2004b.

BOURDIEU, P. (2013). Homo Academicus. 2.ed. Florianópolis: Educação da UFSC.

BRASIL. (2002a). Conselho Nacional de Educação/ Câmara de Educação Superior. Resolução nº 2 de 4 de março de 2002. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Diário Oficial da União, Brasília, 4 mar. de 2002a.

BRASIL. (2002b). Conselho Nacional de Educação/ Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CP 2, de 19 de fevereiro de 2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. CNE. Resolução CNE/CP 2/2002. Diário Oficial da União,Seção 1, p.9. Brasília, 4 de março de 2002b.

CARTAXO, S.R.M. &MARTINS, P. L. O. (2014). Licenciaturas e anos iniciais da Educação Básica: uma interlocução necessária na formação de professores. Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 14, n. 42, p.434-367, maio/ago.

CUNHA, M. (2004). Globalização, educação e formação docente. Educação e Linguagem, São Paulo, n.9, p. 145-158, jan./jun.

DINIZ-PEREIRA, J. E. (2011). O ovo ou a galinha: a crise da profissão docente e a aparente falta de perspectiva para a educação brasileira. Revista Brasileira de Estudos pedagógicos, v.92, n.230, pp. 34-51, jan./abr, 2011.

DINIZ-PEREIRA. J. E. (1999). As licenciaturas e as novas políticas educacionais para a formação docente. Educação e Sociedade, Campinas, v. 20, n. 68, p.109-125, dez.

FREIRE, P. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991.

FREIRE, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários àprática educativa. 31.ed. São Paulo: Paz e terra.

GATTI, B.; BARRETO, E.S. (2009). Professores do Brasil: impasses e desafios.Brasília: UNESCO.

GATTI, B. (2013). A prática pedagógica como núcleo do processo de formação de professores. In GATTI, B.; SILVA JUNIOR, C.; PAGOTTO, M.; NICOLETTI, M.(Org.) Por uma política nacional de formação de professores. São Paulo: Unesp.

GATTI, B. A. (2010). Formação de professores no Brasil: características e problemas. Educação e Sociedade, Campinas, v. 31, n. 113, p.1355-1379, out./dez.

GATTI, B. A. (2014). Formação inicial de professores para a Educação Básica: pesquisas e políticas educacionais. Estudos em Avaliação Educacional. São Paulo, v. 25, n.54, p.24-54, jan./abr.

GATTI, B. A. (2016). Formação de professores: condições e problemas atuais. Revista Internacional de formação de professores (RIFP), Itapetininga, v.1, n. 2, p. 161-171.

IMBERNÓN, F. (2011). Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. 8.ed. SP: Cortez.

JUNQUEIRA, S.M. da S. & MANRIQUE, A.L.(2012). Licenciatura em matemática no Brasil: aspectos históricos de sua constituição. Revista Electrónica de investigación in Educación en ciencias. REIC, v. 8, n. 1, p.42-51, junio.

MACENHAN, C. &TOZETTO, S. S. (2013). O trabalho docente na educação infantil: construção dos saberes e práticas das professoras iniciantes e militantes. Interfaces da Educação.Parnaíba, v.4, n. 10, p.10-34.

MENDES, T. C. & CLOCK, L. M.; BACCON, A. L. (2014). Concepções de ensino na aprendizagem da docência de licenciandos em matemática. IV Congresso Internacional sobre Professorado Principiante e Inserção Profissional à Docência, Curitiba – PR. p. 1-

-12.

MIZUKAMI, M. das G.N.(2013). Escola e desenvolvimento profissional da docência. In GATTI, B.; SILVA JUNIOR, C.; PAGOTTO, M.; NICOLETTI, M.(Org.) Por uma política nacional de formação de professores. 1.ed. São Paulo: Unesp.

MIZUKAMI, M. das G. N. (2002). Escola e aprendizagem da docência: processos de investigação e formação. São Carlos: EdUFSCar.

NOGUEIRA, M. A. & NOGUEIRA, C.M.M. (2009). Bourdieu e a educação.3.ed. Belo Horizonte: Autêntica.

PIMENTA, S. G.& ANASTASIOU, L. das G. C. (2002). Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez.

SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. 5.ed. São Paulo: Cortez, 2008.

SEVERINO, A. J. (2002). Educação e universidade: conhecimento e construção da cidadania. Interface, Comunicação, Saúde, Educação, v.6, n.10, p.117-24, fev.

SOARES, S. & CUNHA, M. (2010). Formação do professor: a docência universitária em busca de legitimidade. Salvador: EDUFBA.

TARDIF, M. (2012). Saberes docentes e formação profissional. 13.ed. Petrópolis RJ: Vozes.

TRIVINÕS, A. N. S. (2007). Introdução à pesquisa em ciências sociais: apesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas.

VAILLANT, D.& MARCELO, C. (2012). Ensinando a ensinar: as quatro etapas de uma aprendizagem. Curitiba: UTFPR.




DOI: https://doi.org/10.23925/1983-3156.2018v21i2p353-378

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


INDEXADORES DA REVISTA