Entre História e Ensino
a relevância dos artefatos científicos como ferramenta pedagógica no estudo da elipse
DOI:
https://doi.org/10.23925/2178-2911.2026v33espp360-387Palavras-chave:
História da Matemática, Estudo da Elipse, Elipsógrafo, Ensino de Matemática, Cultura MaterialResumo
A inserção da História da Matemática no ensino permite uma abordagem crítica e contextualizada das práticas pedagógicas. A análise de fontes e artefatos históricos contribui para compreender a produção e apropriação social do conhecimento matemático, além de sugerir novas estratégias didáticas. Esta pesquisa examina a revista de divulgação científica Le Petit Inventeur, publicada em 1925, que apresenta o elipsógrafo como instrumento voltado à construção de elipses. Inserida no contexto da intensa circulação de saberes no período entre guerras, a publicação evidencia o papel dos objetos técnicos como mediadores entre ciência e sociedade, aproximando conceitos abstratos da realidade cotidiana. A partir de uma historiografia atualizada, o elipsógrafo é interpretado não apenas como aparato técnico, mas como elemento cultural, portador de práticas e saberes vinculados ao ensino. Além da análise histórica, são discutidas propostas para aplicar modelos de elipsógrafos no Ensino Médio, explorando a definição, equação e propriedades da elipse. Diante dos desafios históricos do ensino da elipse, especialmente no que se refere à visualização e aplicabilidade no contexto da Educação Básica, argumenta-se que a análise crítica de instrumentos históricos contribui para renovar as práticas pedagógicas. Nesse sentido, a cultura material é valorizada como recurso didático capaz de fomentar a curiosidade, a experimentação e a aprendizagem construtiva. Ao articular História da Ciência, Ensino e o estudo da elipse, a pesquisa destaca a importância das fontes históricas na formação docente e na promoção de um ensino interdisciplinar e mais significativo da Matemática.
Downloads
Referências
1 Bibliothèque Nationale de France. (1923). Le Petit Inventeur. Albin Michel. http://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb32836551c
2 Pereira, A. C. C., & Pereira, D. E. (2015). Ensaio sobre o uso de fontes históricas no ensino de matemática. REMATEC – Revista de Matemática, Ensino e Cultura, 10(18), 65–78.
3 Pereira, A. C. (2025). Diretrizes para pesquisa envolvendo instrumentos matemáticos históricos. In Z. V. de Oliveira (Ed.), Do ábaco ao algoritmo: 30 anos de contribuição do grupo de pesquisa em História da Matemática (pp. 165–182). Editora LF.
4 Prost, A., & Vincent, G. (1991). Histoire de la vie privée: De la Première Guerre mondiale à nos jours. Seuil.
5 Saito, F. (2014). Instrumentos matemáticos dos séculos XVI e XVII na articulação entre história, ensino e aprendizagem de matemática. REMATEC – Revista de Matemática, Ensino e Cultura.
6 Saito, F. (2015). História da matemática e ensino: Tendências e perspectivas atuais. In A. Miguel & M. O. Moura (Eds.), História da matemática em atividades didáticas (pp. 13–38). Papirus.
7 Saito, F., & Dias, M. D. S. (2013). Interface entre história da matemática e ensino: Uma atividade desenvolvida com base num documento do século XVI. Ciência & Educação, 19(1), 89–111. https://doi.org/10.1590/S1516-73132013000100007
8 Saito, F., & Pereira, A. C. C. (2021). A elaboração de atividades com um antigo instrumento matemático na interface entre história e ensino. LF Editorial.