FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) DO CAMPO: UMA POLÍTICA NO CONTEXTO DAS MUTAÇÕES NO MUNDO DO TRABALHO

Clarice Zientarski, Hermeson Claudio Mendonça Menezes, Sônia de Oliveira da Silva

Resumo


O trabalho discute a formação de professores desenvolvida no Estado do Ceará/Brasil, tendo como mote as relações que se estabelecem entre as mutações do mundo do trabalho e suas reverberações na Educação do Campo. O estudo fundamenta-se nas análises de dados coletados em questionários aplicados aos Cursistas da ação “Escola da Terra: formação de professores de Escolas Multisseriadas do campo e quilombolas”, desenvolvida em 17 municípios do Estado do Ceará, ao longo dos anos de 2015-2016, fruto de uma pesquisa de natureza quali-quantitativa. A estrutura argumentativa deste trabalho, suas problematizações e considerações revelam a importância fulcral dos movimentos sociais, da consciência de classe dos trabalhadores diante do quadro evidenciado em que a formação dos professores apresenta-se fragilizada, fragmentada, descontextualizada e aligeirada. Os resultados indicam desde a incompreensão de categorias como campo, educação do campo e as concepções teóricas que referenciam as práticas pedagógicas. Além disso as respostas indicaram incongruências entre as teorias pedagógicas adotadas pelos professores e o conhecimento dos teóricos criadores dessas teorias.

Palavras-chave


Formação de professores; Reestruturação produtiva; Educação do campo; Mutações do mundo do trabalho.

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, Giovanni. O novo e precário mundo do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2000.

ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho: Ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2000.

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho? – Ensaios sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. 16. ed. São Paulo: Cortez, 2015.

ANTUNES, Ricardo; DRUCK, Graça. A terceirização sem limites: a precarização do trabalho como regra. Revista O Social em Questão - Ano XVIII - nº 34 - p. 19 - 40, 2015.

ARAÚJO, Helena Costa. As mulheres professoras e o ensino estatal. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 29, p. 81-103, 1990.

ARROYO, Miguel Gonzalez. Políticas de formação de educadores(as) do campo. Cad.Cedes, Campinas, vol. 27, n. 72, p. 157-176, maio/ago. 2007. Disponível em:

http://www.cedes.unicamp.br. Acesso em: 10 jul. 2007.

BEHRING, Elaine Rossetti. Brasil em Contrareforma: desestruturação do Estado e perda de direitos. São Paulo: Cortez, 2003.

BELTRAME, Sônia Aparecida Branco. A formação dos educadores do campo. p. 151. Disponível em: http://educanp.weebly.com/uploads/1/3/9/9/13997768/a_formao_dos_

educadores_ do_campo.pdf. Acesso em: 12 jul. 2007.

BERTERO, José Flávio. Sobre a sociedade pós-industrial. 2005. Comunicação apresentada no IV Colóquio Marx e Engels em Campinas-SP. Disponível em: http://www.unicamp.br/

cemarx/ANAIS%20IV%20COLOQUIO/comunica%E7%F5es/GT3/gt3m2c4.pdf. Acesso em: 20 jul. 2017.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: editora Bertrand Brasil. 1989.

BRASIL. Decreto Nº 7.352, de 4 de novembro de 2010. Disponível em:

http://portal.mec.gov.br/docman/marco-2012-pdf/10199-8-decreto-7352-de4-de-novembrode-

/file. Acesso em: 10 ago. 2017.

BRASIL. LDB nº 9394/96. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-

/2017/lei/L13415.htm. Acesso em: 10 ago. 2017.

BRUHNS, Hinnerk. O conceito de patrimonialismo e suas interpretações contemporâneas. Revista Estudos Políticos, n. 4, p. 61-77, 2012. Disponível em:

http://revistaestudospoliticos.com/wp-content/uploads/2012/04/4p61-77.pdf. Acesso em: 18 set. 2014.

CEARÁ. Secretaria da Educação. Matrícula Escolas do Campo de Ensino Médio da Rede Estadual, em Áreas de Assentamento, por Crede, Município e ano. 2016. Disponível em:

http://www.seduc.ce.gov.br/index.php/ouvidoria/205-desenvolvimento-da-escola/diversidadee- inclusao-educacional/educacao-do-campo/11295-educacao-do-campo. Acesso em: 10 ago. 2017.

CISNE, Mirla. Feminismo e Consciência de Classe no Brasil. São Paulo: Cortez, 2014.

CNA - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Balanço 2016 e Perspectivas 2017. Disponível em: http://www.cnabrasil.org.br/temas-atuais/balanco-2016-e-perspectivas-

Acesso em: 20 set. 2017.

ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. 11. ed. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 1987.

FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. 2.

vol. 4. ed. Porto Alegre: Globo, 1977.

FERNANDES, Bernardo. Mançano.; CERIOLI, Paulo Ricardo.; CALDART, Roseli. Salete. Primeira Conferência Nacional Por Uma Educação Básica do Campo: texto preparatório. In:

ARROYO, Miguel Gonzalez; CALDART, Roseli Salete; MOLINA, Mônica Castagma(Orgs.). Por uma educação do campo. Petrópolis: Vozes, 2004. p. 19-63.

FREITAS, Luiz Carlos de. Neotecnicismo e formação do educador. In: ALVES, Nilda (Org.)Formação de professores: pensar e fazer. São Paulo: Cortez. 2011. p. 95-108.

FURTADO, Celso. A operação Nordeste. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, 1959.

GRAMSCI, Antonio. Os Intelectuais e a Organização da Cultura. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982.

HARVEY, David. O Enigma do Capital: e as crises do capitalismo. Tradução de João Alexandre Peschanski. São Paulo, SP: Boitempo, 2011.

HOBSBAWM, E. A era dos extremos: o breve século XX. S.P. Comp. das Letras, 1995.

KUENZER, Acácia Z. Pedagogia da Fábrica: as relações de produção e a educação do trabalhador. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

LAMOSA, Rodrigo; LOUREIRO, Carlos Frederico. Agronegócio e educação ambiental: uma análise crítica. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.22, n. 83, p. 533-554, abr./jun. 2014.

LEFEBVRE, Henri. A cidade do capital. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

LOBATO, Monteiro. Urupês. Rio de Janeiro: Globo, 2015.

MARX, Karl. Manuscritos econômicos – filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2006.

MARX, Karl. O Capital. 3 volume. São Paulo: Boitempo, 2017.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 2010.

MÉSZÁROS, István. Para além do capital. Tradução de Paulo Cezar Castanheira e Sérgio Lessa. Campinas/São Paulo: Boitempo, 2002.

MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2008.

MÉSZÁROS, István. A crise estrutural do capital. 2. ed. rev. e ampliada. São Paulo: Boitempo, 2011.

NEVES, Magda de Almeida. Cadeia automotiva: flexibilidade, precarização e relações de gênero. Trabalho e Educação, Revista do NETE/UFMG, Belo Horizonte, n. 8, p. 90-110, jan./jul. 2001.

NEWTON, Duarte. Educação escolar, teoria do cotidiano e a escola de Vygotsky. Campinas/SP: Autores Associados, 2012.

PERRENOUD, Philippe. Dez Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.

SAFFIOTI, H. A mulher na sociedade de classe. Rio de Janeiro: Vozes, 1976.

SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. Campinas/SP: Autores Associados, 2008.

SCHULTZ, Theodore W. O Capital Humano: investimentos em educação e pesquisa. Tradução de Marco Aurélio de Moura Matos. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.

SHIROMA, Eneida Oto; MORAES, Maria Célia de; EVANGELISTA, Olinda. Política Educacional. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

SILVA, José Graziano da. O Novo rural Brasileiro. Campinas: Editora Unicamp, 1999.

VEIGA, Ilma Passos A. Projeto Político Pedagógico da escola: uma construção possível. 29. ed. Campinas/SP: Papirus Editora, 2011.




DOI: https://doi.org/10.23925/1809-3876.2020v18i1p236-261

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Revista e-Curriculum                                   e-ISSN 1809-3876

Indexadores:

Nacionais

              

 

Internacionais