“Qual o destino das licenciaturas?”

o caráter privatista, mercantil e neoliberal na formação de professores no Brasil (2009-2018)

Autores

  • Rony Rei do Nascimento Silva Universidade Tiradentes (Unit)
  • Ilka Miglio de Mesquita Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

DOI:

https://doi.org/10.23925/1809-3876.2025v23e64293

Palavras-chave:

licenciaturas, crise, Brasil

Resumo

O presente artigo teve como objetivo compreender a crise das licenciaturas, tendo em vista suas múltiplas expressões no Brasil nas duas últimas décadas. A pesquisa tematizou quatro eixos: discursos sobre a formação e a profissão docente no Brasil; baixa na procura pelos cursos de licenciatura; política de financiamento estudantil; e, por fim, expansão da Educação a Distância. A pesquisa foi realizada a partir de documentos coletados no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), especialmente os dados do Censo do Ensino Superior (2009-2018). No que se refere ao problema de pesquisa, utilizaram-se autores como Frigotto (2015) e Harvey (2008). Em face disso, concluiu-se que a crise nas licenciaturas se consubstancia em várias frentes, a saber: pela desvalorização ascendente que vêm sofrendo nas últimas décadas, pelas políticas e nova gestão pública, pelo desprestígio social, pela falta de atratividade, pela precarização do ambiente escolar público e pelo abandono da profissão.

Biografia do Autor

Rony Rei do Nascimento Silva, Universidade Tiradentes (Unit)

Professor da graduação e do Programa de Pós-graduação em Educação (PPED), da Universidade Tiradentes (Unit). Professor Substituto da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Doutor em Educação pela Universidade Estadual Paulista "Júlio Mesquita Filho"- Unesp, Campus Marília (2021), com bolsa CNPq, com estágio pelo Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE) (CapesPrInt), junto ao El Colegio San Luis (COLSAN), San Luis Potosi, México. Mestre em Educação pela Universidade Tiradentes - UNIT (2016) com Bolsa Capes/FAPITEC/SE. Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual Paulista "Júlio Mesquita Filho"- Unesp, Campus Marília (2021) e graduação em Serviço Social pela Universidade Tiradentes - UNIT (2014). Professor da Educação Infantil da EMEF Nossa Senhora Aparecida. É membro dos Grupos de Pesquisas Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração da Educação e Formação de Educadores (GEPAEFE); Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Cultura e Instituições Educacionais (GEPCIE). É sócio da Comparative and International Education Society (CIES), Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE) bem como da Associação Brasileira de Pesquisa (auto)Biográfica (BIOGraph). Membro do Núcleo Estadual de Educação Permanente NUEP/SE-SUAS e da Comissão de Formação Profissional de CRESS/SE. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Tiradentes.

Ilka Miglio de Mesquita , Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

Professora visitante da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1986), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (2000) e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2008). Realizou Estágio Pós Doutoral em História da Educação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Membro do Grupo de Pesquisa Portal do Bicentenário. Atualmente faz parte da Coordenação do GT de Comunicação do Portal do Bicentenário (ANPED). Tem experiência na área de Formação de Professores, Ensino de História, História da Educação, Estudos Decoloniais e interculturais, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de professores, história, ensino de história, educação, memoria, identidade.

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Publicado

2025-03-31

Edição

Seção

Artigos