O que dizem os Professores das Licenciaturas em Matemática sobre suas Práticas e Percepções em Pré-Cálculo?<br>What do mathematics degree professors say about their practices and perceptions in Precalculus?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/1983-3156.2020v22i2p573-603

Palavras-chave:

Pré-Cálculo, Licenciatura em Matemática, transição do Ensino Médio para o Superior, formação inicial de professores.

Resumo

N

Resumo

Nesta investigação, nosso objetivo geral é compreender como tem sido o ensino de Pré-Cálculo, a partir da visão dos professores da disciplina. Como objetivos específicos, buscamos identificar e descrever o perfil dos professores de Pré-Cálculo, compreender suas visões sobre os objetivos da disciplina e analisar as principais características das aulas nos cursos de licenciatura em Matemática. Nosso corpus de investigação se constituiu de 12 cursos em instituições de ensino superior públicas no estado do Rio de Janeiro que o possuem na estrutura curricular. Ademais, em relação às aulas, intenta-se verificar se existem discussões sobre ensino, e se elas estão relacionadas à formação do professor em Educação Matemática e de sua possível experiência com a educação básica. Esse olhar se deve à especificidade da disciplina, que possui conteúdos usualmente trabalhados na escola, objeto de trabalho dos futuros professores. Para isso, convidamos todos os professores de Pré-Cálculo nos cursos identificados, e conduzimos entrevistas com 17 deles, para identificar seus perfis, analisar como percebem a disciplina e como narram suas práticas. No aspecto metodológico, as respostas às entrevistas foram analisadas com inspiração na Análise Temática de Conteúdo, e os objetivos de Pré-Cálculo na visão dos professores deram origem às categorias: olhar para a formação escolar prévia; olhar para a formação matemática da graduação e olhar para docência, e as práticas em: conteúdos; recursos e desenvolvimento das aulas. Os principais resultados evidenciam que a maioria dos professores não possui formação continuada na área de Educação Matemática, e suas práticas se baseiam nos saberes da experiência. Ademais, ocorrem algumas discussões sobre ensino, sendo fatores importantes a formação em Educação Matemática e a vivência em escolas, mas estes não foram determinantes para a preocupação com a formação didático-pedagógica do licenciando nas aulas de Pré-Cálculo. A partir das falas, inferiu-se que a colaboração e comunicação entre pares, além do interesse em Educação Matemática foram elementos promissores para que discussões sobre ensino ocorressem, oportunizando diferentes possibilidades para Pré-Cálculo nas licenciaturas.

Palavras-chave: Pré-Cálculo, Licenciatura em matemática, Transição do ensino médio para o superior, Formação inicial de professores.

Abstract

This research aimed to characterize the teaching process of Precalculus from the college professors’ perspective. As specific objectives, we seek to identify and describe the profile of Precalculus professors, understand their views on the purposes of the discipline, and analyze the main characteristics of the classes in the Mathematics degree courses. Our research corpus consisted of 12 courses in public Higher Education Institutions in the state of Rio de Janeiro that have it in the curriculum. Furthermore, about classes, it aims to verify whether there are discussions about teaching and whether they are related to the formation of the teachers in Mathematics Education and their possible experience with basic education. This view is due to the specificity of the discipline, which has contents usually worked at school, the future teachers’ object of work. So, we invited all Precalculus professors from the courses identified and conducted interviews with 17 of them, to identify their profiles, analyze how they perceive the discipline, and what they say about their practices. In the methodological aspect, the answers to the interviews were analyzed inspired in the Thematic Content Analysis, and the objectives of Precalculus in the view of the teachers gave rise to the categories: look into the previous schooling, look into undergraduate mathematics education, and teaching; and practices in: content, and resources and class development. The main results show that most teachers do not have continuing education in Mathematics Education, and their practices are based on experience knowledge. Besides, there are some discussions about teaching, with important factors being the formation in Mathematics Education and the lived experience in schools. Still, these were not decisive for the concern with the didactic-pedagogical training of the degree students in the Precalculus classes. From their speeches, we inferred that collaboration and communication between peers, besides interest in Mathematics Education, were promising elements to foster discussions about teaching, providing different possibilities for Precalculus in degree courses.

Keywords: Precalculus, Mathematics degree education, Secondary-tertiary transition, Preservice teacher education.

Resumen

Esta investigación tuvo como objetivo caracterizar el proceso de enseñanza del Precálculo desde la perspectiva de los profesores universitarios. Como objetivos específicos, buscamos identificar y describir el perfil de los profesores de Precálculo, comprender sus puntos de vista sobre los propósitos de la disciplina y analizar las principales características de las clases en las carreras de Matemáticas. Nuestro corpus de investigación consistió en 12 cursos en Instituciones Públicas de Educación Superior del estado de Río de Janeiro que lo tienen en el plan de estudios. Además, sobre las clases, se pretende verificar si existen discusiones sobre la docencia y si están relacionadas con la formación de los docentes en Educación Matemática y su posible experiencia con la educación básica. Esta visión se debe a la especificidad de la disciplina, que tiene contenidos habitualmente trabajados en la escuela, objeto de trabajo de los futuros profesores. Entonces, invitamos a todos los profesores de Precálculo de los cursos identificados y realizamos entrevistas con 17 de ellos, para identificar sus perfiles, analizar cómo perciben la disciplina y qué dicen de sus prácticas. En el aspecto metodológico, las respuestas a las entrevistas se analizaron inspiradas en el Análisis de Contenidos Temáticos, y los objetivos del Precálculo a la vista de los docentes dieron lugar a las categorías: mirar hacia la escolaridad previa, mirar hacia la educación matemática de formación docente y la docencia. ; y prácticas en: contenido, y recursos y desarrollo de clases. Los principales resultados muestran que la mayoría de los docentes no tienen formación continua en Educación Matemática y sus prácticas se basan en el conocimiento de la experiencia. Además, hay algunas discusiones sobre la docencia, siendo factores importantes la formación en Educación Matemática y la experiencia vivida en las escuelas. Sin embargo, estos no fueron determinantes para la preocupación por la formación didáctico-pedagógica de los estudiantes de grado en las clases de Precálculo. De sus discursos, inferimos que la colaboración y la comunicación entre pares, además del interés por la Educación Matemática, fueron elementos prometedores para fomentar las discusiones sobre la docencia, brindando diferentes posibilidades de Precálculo en la carrera docente.

Palabras clave: Precálculo, Licenciatura em Matemáticas, Transición entre la enseñanza secundaria y la universitaria, Formación de profesores.

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Biografia do Autor

Fabiana Chagas de Andrade, CEFET-RJ

Doutora em Ensino de Matemática pelo Programa de pós-graduação Ensino de Matemática na UFRJ. Atua como docente efetiva EBTT do CEFET - RJ Uned Itaguaí e como tutora à distância do consórcio CEDERJ-UFF, no curso de Licenciatura em Matemática. Possui Mestrado PROFMAT em Matemática pela UNIRIO (2014), especialização em Novas Tecnologias do Ensino de Matemática (NTEM) do LANTE-UFF (2017) e licenciatura em Matemática pela Universidade do Grande Rio (2010). Tem experiência na área de Matemática, com ênfase em Educação Matemática, Formação de Professores e Tecnologias Digitais na Educação. Foi professora efetiva DE de Matemática do Centro de Referência em Formação e em Educação à Distância (CEFOR) do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), professora assistente substituta do Departamento de Matemática Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, além de ter atuado nas redes estadual e municipal do RJ de 2011 a 2015.

Ana Teresa de Carvalho Correa de Oliveira, UFRJ

Ana Teresa de Carvalho Correa de Oliveira concluiu o estágio pós doutoral em julho de 2013, na Faculdade de Educação da UNICAMP, na área de ensino e práticas culturais (em Educação Matemática), supervisionada pelo Prof. Dr. Dario Fiorentini. É doutora em Educação desde agosto de 2007, pela PUC-Rio, orientada pela Porfa. Dra. Menga Ludke. . Concluiu o curso de mestrado em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1997, orientada pelo Prof. Dr. João Bosco Pitombeira. Atualmente é professora associado II da Faculdade de Educação da UFRJ, da disciplina didática especial de matemática e prática de ensino. Coordenou, desde dezembro de 2008 a dez 2014, o programa de bolsas de monitoria da Faculdade de Educação da UFRJ. Coordenou, o LEPED - Laboratório de Estudos e Pesquisas em Didática e Formação de Professores, da Faculdade de Educação da UFRJ, cadastrado no CNPq e certificado pela UFRJ, de 2014 até 2017. Coordena o GEPEMAT, Grupo de Estudos e Pesquisas em Formação de Professores que ensinam matemática. É professora do quadro permanente do mestrado em ensino de matemática e do doutorado em ensino e história de matemática e física, do Instituto de Matemática da UFRJ, na linha de ensino. Anteriormente, esteve por 32 anos consecutivos atuando como professora de matemática na educação básica e como professora do curso de formação de professores do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro. Atualmente,, é representantes dos professores associados na Congregação da Faculdade de Educação da UFRJ. Publicou 37 artigos em periódicos especializados e 10 trabalhos em anais de eventos. Possui 4 capítulos de livros publicados. Possui 73 itens de produção técnica. Participou de 21 eventos no Brasil. Orientou 4 trabalhos de conclusão de curso na área de Educação Matemática. Recebeu 8 prêmios e/ou homenagens. Atua na área de Matemática, com ênfase em Metodologia do Ensino de Matemática. Em suas atividades profissionais interagiu com 21 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. Em seu currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Matemática e Educação Básica, Pesquisa Formação Professor Matemática, Pesquisa Juiz Educação Básica, Adição Subtração Multiplicação Divisão, Alfabetização Matemática, Número, Álgebra, Geometria, História da Matemática. Integrou o grupo de pesquisa coordenado pelo GEPFPM/UNICAMP, onde desenvolveu pesquisa intitulada Mapeamento e Estado da Arte da Pesquisa Brasileira sobre o Professor que ensina Matemática, em 2013/2016, na condição de coordenadora da Região RJ/ES.

Agnaldo da Conceição Esquincalha

Professor do Instituto de Matemática e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Matemática - PEMAT/UFRJ, com Estágio Pós-Doutoral no Programa de Pós-Graduação em Educação e Ciências e Matemática da UFRRJ. Doutor em Educação Matemática pela PUC-SP, Mestre em Modelagem Computacional pela UERJ e Licenciado em Matemática pela UFRRJ. Vice-Coordenador do PEMAT e Coordenador da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Instituto de Matemática da UFRJ. Diretor da Sociedade Brasileira de Educação Matemática - Regional Rio de Janeiro (2019-2021). Líder do Grupo de Pesquisa TIME: Tecnologias, Inclusão, Matemática e Educação, cadastrado no CNPq, e Coordenador de Disciplina na Licenciatura em Matemática a distância oferecida via Consórcio CEDERJ. Foi Professor do Departamento de Matemática da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, onde atuou como Coordenador de Graduação e Professor do Programa de Pós-Graduação em Matemática (PROFMAT/UERJ) e como Bolsista de Produtividade em Pesquisa (Procientista UERJ/FAPERJ). Antes disso, foi Professor do Departamento de Matemática da PUC-Rio, Coordenador de Matemática nas Diretorias de Extensão e de Mídias Digitais da Fundação CECIERJ, Professor Pesquisador do Laboratório de Novas Tecnologias de Ensino da UFF, Coordenador de Tutoria do Programa de Formação de Professores de Matemática do Estado de São Paulo e Coordenador Geral de Matemática dos Programas de Formação Continuada da SEEDUC-RJ/CECIERJ. Além disso, foi Professor Substituto nas áreas de Matemática e Educação Matemática na UFRJ, na UERJ e na UFRRJ, além ter sido bolsista de desenvolvimento de projetos em EaD na UNIRIO, e professor na Rede Pública Estadual do Rio de Janeiro. Tem experiência nas áreas de Tecnologias Digitais em Educação Matemática, Educação Matemática Inclusiva, Formação do Professor de Matemática e Educação a Distância.

Referências

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Publicado

2020-08-27

Como Citar

ANDRADE, F. C. de; DE OLIVEIRA, A. T. de C. C.; ESQUINCALHA, A. da C. O que dizem os Professores das Licenciaturas em Matemática sobre suas Práticas e Percepções em Pré-Cálculo?&lt;br&gt;What do mathematics degree professors say about their practices and perceptions in Precalculus?. Educação Matemática Pesquisa Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação Matemática, São Paulo, v. 22, n. 2, p. 573–603, 2020. DOI: 10.23925/1983-3156.2020v22i2p573-603. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/emp/article/view/48429. Acesso em: 24 jul. 2024.

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