Educação matemática como instrumento de empoderamento:
um estudo exploratório a pesquisas nacionais e internacionais
DOI:
https://doi.org/10.23925/1983-3156.2022v24i3p145-176Palavras-chave:
Empoderamento, Educação matemática, Educação matemática crítica, Educação libertadora, Revisão bibliográficaResumo
O objetivo deste artigo é compreender como a educação matemática atua como instrumento de empoderamento ou de desempoderamento de estudantes e professores, como ela se conecta com o empoderamento e como o empoderamento é discutido no âmbito educacional. Para tal, realizamos um estudo exploratório a partir do mapeamento de produções científicas desenvolvidas em diferentes países da América, Europa, África, Ásia e Oceania. Foram analisados 64 trabalhos entre artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado do Banco Nacional de Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da Scientific Library Electronic Online (SciELO) e do Google Scholar, no período de 1996 a 2020. Esses trabalhos foram categorizados conforme público-alvo ou foco da pesquisa. A partir dessa organização, identificamos os níveis de escolaridade em que o empoderamento é mais discutido, o que possibilitou fomentarmos reflexões a respeito da necessidade de realizarmos pesquisas sobre essa temática nos níveis com menos discussões. Para a análise interpretativa, apresentação de resultados e levantamento de discussões sobre o tema no âmbito educacional, selecionados dez trabalhos. Os resultados mostraram que a educação matemática pode atuar como instrumento de empoderamento ao reconhecer que o fazer matemático precisa abordar questões sociais e políticas por meio de uma educação libertadora, e que ela pode atuar como instrumento de desempoderamento ao anular ou minimizar o poder criador de estudantes e professores, estimulando sua ingenuidade em detrimento de sua criticidade e satisfazendo os interesses dos grupos dominantes.
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