Significação memorialística em dois tempos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/1809-3876.2023v21e59528

Palavras-chave:

memoriais de formação, escrita autobiográfica, escrita de si

Resumo

Este artigo analisa o processo de escrita de um memorial acadêmico (para fim de promoção na carreira), a partir de um registro em dois tempos. Para tanto, utiliza-se da hermenêutica ricoeuriana, sugerindo recortes entre a identidade-idem (mesmidade) e identidade-ipse (ipseidade). O artigo está estruturado entre o tempo que recobre o significado desta construção narrativa a partir das experiências-recordações da autora do texto e o tempo que recobre as significações da avaliação, a partir da narrativa de quem o leu e o avaliou. Este esforço de compreensão entre o si e o outro não deixa de estar atravessado pela busca de reconhecimento, refletido em um processo de docimologia entre os pares. É neste jogo de reconhecimento mútuo que escrevemos em dois tempos, sabendo que o indivíduo nada é, enquanto o é para si só.

Biografia do Autor

Maria Amália de Almeida Cunha, Universidade Federal de Minas Gerais

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1993), mestrado em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1997), doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2003,) doutorado sanduíche em Sociologia - Paris X - Nanterre (2001) e pós-doutorado em Educação pela Unicamp (2018). Atualmente é professora titular na Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisadora do OSFE- Observatório Sociológico Família-Escola, do NUPEDE-Núcleo de Pesquisa em Desigualdades Escolares e do LapenSI - Laboratório de Experiências em Formação e Narrativas de Si. Leciona a disciplina sociologia da educação na graduação e desenvolve pesquisas sobre: Trajetórias escolares, Socialização, Biografias e Histórias de vida como projeto de formação e auto-formação. Dispositivos Pedagógicos de formação: diários, ateliês de projeto, biografias educativas, práticas pedagógicas escolares. Atua nos Programas de Pós-Graduação em Educação e Docência (Profissional) e Conhecimento e Inclusão social (Acadêmico), ambos na Faculdade de Educação da UFMG. Atualmente ocupa o cargo de Sub-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação e Docência (Promestre- FaE UFMG) para o biênio 2021-2023.

 

 

Maria Helena Menna Barreto Abrahão, Universidade Federal de Pelotas

Bacharel e Licenciada em Letras Anglo-Germânicas (UFSM). Mestre em Educação (UFRGS) e Doutora em Ciências Humanas -  Educação (UFRGS). Pesquisadora Senior do CNPq. Integra o Quadro Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade Federal de Pelotas. Supervisiona Pós-Doutorado e orienta Doutorado. É líder do Grupo de Pesquisa “Profissionalização Docente e Identidade – Narrativas em Primeira Pessoa” – GRUPRODOCI/CNPq/UFPel, Tem diversas publicações no país e no exterior. Foi idealizadora e presidente do I Congresso Internacional de Pesquisa (Auto)Biográfica, Poto Alegre, RS, Brasil, de 08 a 11 de setembro de 2004.

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Publicado

2023-10-31

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Artigos