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n. 35: Verve

os soldadinhos de chumbo se imaginam guerreiros.     acabam dissolvidos no caldeirão e compõem a matéria do portão que fecha a cidadela e também funciona como ponte sobre o fosso que a protege.      os superiores comandam, os bajuladores trabalham para garantir a segurança e os súditos, esperançosos ou amedrontados, ambicionam não ser esquecidos do lado de fora.

 

verve 35 permanece traçando resistências, não como insistência conveniente dos que desejam iluminações, aspiram liderar, pretendem-se condutores ou força hegemônica, mas como prática antipolítica.      não seja ingênuo(a) ou tola(o) de considerá-la apartidária ou piso para o fascismo.

 

daniel barret, situa as forças políticas institucionais, incluindo as de formação marxista, na luta que produziu tanto a ditadura uruguaia como a volta à normalidade com plebiscito e “abertura”. traça os redimensionamentos das forças anarquistas antes, durante e depois e a aparição do surpreendente que ultrapassa a intenção organizativa.

 

christian ferrer, expõe com humor e clareza a defesa de um anarquista atirador por um advogado inteligente capaz de estancar, como abolicionista penal, o discurso jurídico e punitivo do tribunal.

 

salete oliveira, escreve sobre heleusa câmara,  nossa amiga abolicionista penal libertária, também professora na uesb, que nos deixou de repente no final de dezembro de 2018.

 

a página única 1 reproduz hypomnemata de 11/2018, escancarando os limites e as contradições da racionalidade neoliberal sobre o encarceramento de jovens diante das forças políticas à direita, ao centro e à esquerda.

 

o anarquista josé maria carvalho ferreira é o entrevistado desta edição, tecendo considerações sobre sua vida, a utopia, a anarquia, a autogestão, e avesso a modelos e dicotomias.

 

em página única 2 um pouco de carnaval e um tanto de resistências em uma história de preconceitos, repressões, prazer, arte, comidas e contundências anarquistas.

 

eliane carvalho, comenta os 150 anos do nascimento de emma goldman e apresenta seu artigo de 1934, “minha vida valeu a pena?”, no qual a mulher mais perigosa da américa realiza uma reflexão sutil sobre um momento crucial da propriedade e do estado nos eua.

 

luiza uehara preparou um breve dossiê com artigos inéditos do anarquista japonês sakai ôsugi, passando por max stirner, os efeitos das conquistas e a elaboração da noção de expansão da vida.      se cada ciclo da humanidade é uma repetição que passou por uma revolução, a vida livre em expansão se afirma pela revolta.

 

a aula-teatro semestral do nu-sol em 6 e 7 de maio foi a tragédia hécuba, de eurípedes, publicada em português.      sendo desnecessário transcrevê-la em verve, anexamos o folder que acompanhou as apresentações gratuitas no tucarena-sp.     

 

as resenhas desta edição abordam o anarquismo atual no livro de camila jourdan, 2013: memórias e resistências, por flávia lucchesi,  e a anarquizante literatura de roberto bolaño no imprescindível e urgente a literatura nazista na américa, por gustavo simões.      versos de bolaño atiçam os movimentos livres em verve 35.

 

verve completa 18 anos.      combate não só a maioridade penal, civil ou política como enfrenta o eterno retorno da cultura do castigo herdada da cultura grega.     enquanto os soldadinhos de chumbo, os policiais e os cidadãos-polícia lubrificavam e poliam  os portões da fortaleza, os anarquistas produziam e produzem túneis para fugas e incursões. 








2012

n. 22 (2012): Verve

verve é atiçada pelo que pulsa de libertário e vivo, na potência de escritos e experimentações de mulheres e homens do passado e do agora; atenta ao que provoca combates contra o que de fora incide autoritário e violento, e contra o que precisa ser revolvido nos anarquismos.

verve pratica a diferença na igualdade e ataca pluralismos, comemorando o movimento incessante da luta na qual não cabem mestres, verdades absolutas, panteões.

é com esse fulgor que verve trata os antigos e propicia o novo. vibrando assim, esse número de verve abre com dossiê sobre os 140 anos do congresso anarquista de st. imier para interpelar os anarquismos hoje, rechaçar o bolor e afirmar o que nos é próprio e vigoroso: a revolta!

em seguida, martín albornoz apresenta como a morte e os funerais de anarquistas foram inventados, na argentina do início do século XX, como acontecimentos políticos e de resistência; enquanto rogério nascimento explicita o conservadorismo dos cânones acadêmicos no pensamento social brasileiro que deliberadamente ignoram intelectuais libertários da primeira metade do século XX.

dos inícios do século que passou há, também, um bravo escrito em que benjamin tucker mostra como o regime da propriedade produz crimes e criminosos, numa reflexão atual em tempos de redimensionamento de propriedades, centralidades de poder e segurança.

o atual libertário segue no artigo de lúcia soares sobre a produção de subjetividades pela tv na sociedade de controle e com gustavo simões na urgência em combater o que resta das ditaduras latino-americanas pela chama produzida com a literatura de roberto bolaño e roberto freire.

nas resenhas, as lutas no tempo presente pelas rebeldias e pela radical força libertária do abolicionismo penal de louk hulsman.

atravessando verve, imagens de periódicos anarquistas dos primeiros anos do século XX que foram, no seu tempo, experiências heterotópicas a enfrentar embates que hoje reemergem para novos guerreiros.

deslocando-se, verve começa sua segunda década com nova capa, no azul único tão caro ao nu-sol.

desdobrando-se, verve transborda em vervedobras levando para os fluxos eletrônicos o tanto de presente e de heterotopia que nos move.






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