Chamada de Artigos: Fronteiraz 24

Se, durante muito tempo, quando se pensava em livros, o que nos vinha à mente eram textos pertencentes a diferente gêneros impressos sobre as páginas, sem que pouca ou nenhuma importância fosse atribuída a elementos relativos à sua materialidade, não é com esta realidade que nos deparamos no contexto contemporâneo. Mais do que páginas impressas, o livro é compreendido como um objeto que inclui, em sua composição, múltiplos modos ou gêneros de representação, com elementos combinados de impressão, imagens visuais e design. No tocante ao livro-álbum, a atenção à materialidade e ao suporte físico tem conhecido desenvolvimentos recentes, sobretudo em termos da valorização do designer gráfico e do projeto gráfico e artístico editorial, reconhecendo-lhe uma autoria e uma relevância na definição do artefato final que é o livro, para o qual concorrem em proporções idênticas também texto e ilustrações. Os elementos peritextuais (GENETTE, 1987) são cruciais para a definição do livro infantil contemporâneo e o investimento artístico no livro como um objeto é considerado um passo importante no processo criativo, já que todos os elementos que integram este artefato (capas, contracapas, guardas, folhas de rosto…) devem interagir para multiplicar as suas possibilidades de leitura.

Nos últimos anos, a teorização sobre o livro-objeto e as suas inúmeras subcategorias também tem interessado muitos especialistas contemporâneos, apesar de existirem, na história do livro e da edição, fórmulas suscetíveis de classificação neste âmbito editorial que remontam, pelo menos, à Idade Média, ainda distantes do contexto infantojuvenil, onde se revelaram particularmente produtivas, mas também ligadas às práticas literárias vanguardistas, como as que ocorreram durante diferentes fases do Modernismo, em diferentes contextos.

Mais recentemente, possivelmente em resultado da concorrência dos livros digitais (e-books) e outros formatos não analógicos, o crescimento do interesse pela publicação de livros com claro investimento na sua componente física alargou-se a outros segmentos editoriais, para além do livro de artista ou do livro-brinquedo. A recuperação de formatos como o pop-up, o livro-túnel, o carrossel, mas também os livros pull-the-tab, por exemplo, são indicativos da atração dos leitores de todas as idades por objetos que promovem um tipo de leitura que, além de um exercício cognitivo, é também uma interação física e sensorial com o objeto impresso. O relevo da materialidade nos livros infantis e juvenis pode não só destacar a sua dimensão narrativa, mas tem repercussões ao nível da ludicidade das propostas, muitas vezes associadas ao cariz performativo e interativo da leitura.

Diante desse contexto, neste número de Fronteiraz, pretende-se reunir reflexões de vários estudiosos sobre o impacto da materialidade no processo de construção e/ou de leitura e interpretação do livro para a infância e juventude, associado quer ao design gráfico de vários géneros literários, com ênfase no livro-álbum/livro ilustrado, quer à própria construção de alguns formatos editoriais específicos, ligados ao livro-objeto.

Prazo para submissão de artigos: até 10 de março de 2020.

 

Lembramos que as seções de “Ensaios” e de “Resenhas” têm fluxo contínuo, independentemente da temática em pauta para a seção de “Artigos”. Para mais detalhes, consultar as normas de edição em “Diretrizes para autores” no endereço http://revistas.pucsp.br/fronteiraz