Com a palavra, o professor

explorando as profundezas discursivas no percurso do professor de matemática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/1983-3156.2026.v28.e68163

Palavras-chave:

Núcleo, Docente, Estruturante, Insubordinação, Criativa, Colaboração

Resumo

A trajetória do professor formador se constitui em meio a tensões, disputas e atravessamentos institucionais que extrapolam a simples adequação às políticas educacionais. Nesse contexto, este estudo teve por objetivo analisar de que modo os membros do Núcleo Docente Estruturante (NDE) buscaram produzir movimentos de insubordinação criativa frente às prescrições das Resoluções CNE/CP de 2015 e 2019. Ancorada nos conceitos de Insubordinação Criativa (IC) e colaboração, a pesquisa problematiza os modos pelos quais as políticas curriculares podem tanto capturar quanto abrir brechas para ações criativas na formação de professores. Metodologicamente, mobilizamos entrevistas semiestruturadas e a Análise Textual Discursiva, buscando compreender as percepções, tensões e estratégias construídas pelos integrantes do NDE diante das exigências normativas. Os resultados evidenciam que a colaboração se constituiu como potência coletiva capaz de tensionar práticas burocratizadas e instaurar espaços de criação, reflexão e negociação no interior da formação docente. Ao mesmo tempo, a investigação revela os limites impostos pelas racionalidades institucionais e pelas políticas de padronização curricular, que frequentemente restringem práticas pedagógicas mais críticas e sensíveis às diferenças. Defendemos que a IC não se reduz a um ato de resistência individual, mas emerge como movimento ético, político e coletivo de reinvenção da prática docente, possibilitando a criação de condições para que os formadores problematizem, desloquem e transformem as realidades educacionais que os atravessam.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Tatiane da Silva Alves, Universidade Federal da Grande Dourados

Especialização em Educação Especial/Educação Inclusiva/ Múltiplas Deficiências. Graduação em Licenciatura Plena em Matemática pela Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD (2021). Foi bolsista do subprojeto de matemática do Programa Residência Pedagógica-PRP/UFGD no período de 2020 a 2022. É editora associada da Revista de Educação Matemática Tangram. Atualmente é mestranda e bolsista da Capes pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Matemática (PPGECMat) da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologias (FACET) na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). É representante discente no Conselho Diretor da FACET- UFGD. Faz parte da Comissão de Acompanhamento de Egressos (CAE) e da Comissão de Evento do PPGECMat. É integrante do Grupo de Pesquisa Educação Matemática, Colaboração e Contemporaneidade (GPEMATCC/UFGD). Desenvolve pesquisas ligadas ao Currículo na Formação Inicial de Professores que ensinam Matemática sob orientação da Prof Dra. Adriana Fátima de Souza Miola.

Adriana Fátima de Souza Miola, Universidade Federal da Grande Dourados

Doutora em Educação Matemática pelo Programa de Pós-Graduação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS com Doutorado Sanduíche na Universidade de Lisboa sob a Orientação do Prof. Dr. João Pedro da Ponte, Mestrado em Educação Matemática e Especialização em Mídias na Educação pela mesma instituição. Graduação em Licenciatura Plena em Matemática pela Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD. Atualmente é Docente do curso de Licenciatura em Matemática, professora permanente e vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Matemática da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologias (FACET) na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). É editora chefe da Revista em Educação Matemática TANGRAM (Qualis A3). Foi Vice-Coordenadora do curso de Licenciatura em Matemática. Coordenou o subprojeto de matemática do Programa Residência Pedagógica-PRP/UFGD. Tem experiência como Professora do Ensino Fundamental, Médio na rede pública e privada. Coordenou a Especialização em Educação Matemática e Ensino de Ciências. Atuou como professora formadora e tutora nos cursos de graduação, pós-graduação e na capacitação de professores na EaD da UFGD. Participou como avaliador do PNLD 2021 e 2022. É pesquisadora integrante do grupo de trabalho - Formação de professores que ensinam Matemática GT7 - SBEM e do Grupo de Pesquisa Formação e Educação Matemática - FORMEM/UFMS. É líder do Grupo de Pesquisa Educação Matemática, Colaboração e Contemporaneidade (GPEMATCC/UFGD).

Referências

Andrade, J. M. D. S., & Henz, C. I. (2018). Auto (trans) formação permanente com professores: em busca de uma compreensão político-epistemológica. Revista Educação e Cultura Contemporânea, 15(39), 304-324.

Assemany, Daniella; Costa, Cecília & Machiavelo, António. (2022). Reflexos da auto(trans)formação docente: do lugar de fala ao empoderamento. In: Subversão responsável e a formação de professores, org: LOPES, Celi, Espansandin; Grando, Regina Célia. Editora Mercado de Letras, p. 207-240.

Candau, V. M. F., & Sacavino, S. B. (2013). Educação em direitos humanos e formação de educadores. Educação. Porto Alegre, 59-66.

D'Ambrosio, B. S., & Lopes, C. E. (2015). Insubordinação Criativa: um convite à reinvenção do educador matemático. BOLEMA: Boletim de Educação Matemática, 29, 1-17.

Damiani, M. F. (2008). Entendendo o trabalho colaborativo em educação e revelando seus benefícios. Educar em revista, 213-230.

Freire, Paulo. (1971). Pedagogia do oprimido.

Freire, P. (1983). O compromisso do profissional com a sociedade. FREIRE, Paulo. Educação e mudança, 11, 15-25.

Freire, P. (2011). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Editora Paz e terra.

Leão, A. S. G. (2021). Um estudo sobre a formação continuada e sua contribuição para o Desenvolvimento Profissional Docente e a mobilização da práxis de professores que ensinam Matemática.

Lima, F. J. (2018). Por que ensino como ensino? Contextos e narrativas da trajetória de um professor formador de professores. HOLOS, 2, 259-275.

Ludke, M., & André, M. (1986). Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. Em Aberto, 5(31).

Moraes, R., & do Carmo Galiazzi, M. (2016). Análise textual: discursiva. Editora Unijuí, 3 ed.

Martínez Pérez, L. F. (2012). Questões sociocientíficas na prática docente: ideologia, autonomia e formação de professores.

Pita, A. P. G., Lima, P., & Roncato, C. (2022). Uma conversa sobre insubordinação criativa com Celi Lopes: como não lembrar daqueles colegas responsavelmente subversivos e ousados! Como não lembrar... Revista Paranaense de Educação Matemática, 11(24), 15-36.

Rosa, Fernanda Malinosky Coelho da. (2022). Reflexões sobre o processo de inclusão/exclusão: a Educação Especial e a Insubordinação Criativa. In: Subversão responsável e a formação de professores, org: LOPES, Celi, Espansandin; GRANDO, Regina Célia. Editora Mercado de Letras, p. 65- 84.

Carvalho, Santos, J. O. (2019). Perspectiva crítico-reflexiva e colaboração na formação do professor. Revista Internacional de formação de professores, 4(1), 85-99.

Saraiva, M. J., & da Ponte, J. P. (2003). O trabalho colaborativo e o desenvolvimento profissional do professor. Quadrante, 12(2), 25-52.

Saviani, Dermeval. (2009). Política e educação no Brasil: o papel do Congresso Nacional na elaboração das leis educacionais. In: SAVIANI, Dermeval. Política e educação no Brasil. 4. ed. Campinas: Autores Associados.

Publicado

2026-05-12

Como Citar

Alves, T. da S., & Miola, A. F. de S. (2026). Com a palavra, o professor: explorando as profundezas discursivas no percurso do professor de matemática. Educação Matemática Pesquisa: Revista Do Programa De Estudos Pós-Graduados Em Educação Matemática, 28, 001–032. https://doi.org/10.23925/1983-3156.2026.v28.e68163

Edição

Seção

Artigos

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.