O dado como objeto didático na formação inicial de professores dos anos iniciais: concepções e tensões para o ensino de Estatística
DOI:
https://doi.org/10.23925/1983-3156.2026.v28.e77410Palavras-chave:
Educação estatística, Formação inicial de professores, Dados, Alfabetização estatística, Ensino de estatísticaResumo
Este artigo tem como objetivo caracterizar as concepções sobre o dado mobilizadas por futuros professores da educação primária ao analisar uma situação de ensino de Estatística, identificando tensões entre uma visão do dado como informação recolhida e representável e uma compreensão do dado como objeto didático. O estudo fundamenta-se em perspectivas da alfabetização estatística e de dados, do pensamento estatístico, do raciocínio com dados e do ciclo de investigação estatística, a partir das quais se propõe compreender o dado como uma construção situada que pode ser produzida, interpretada, discutida e problematizada em sala de aula. Participaram 36 futuros professores de educação primária de uma universidade chilena, que responderam individualmente a uma tarefa escrita baseada em uma situação escolar sobre os meios de deslocamento dos estudantes para chegar à escola. As produções foram analisadas mediante análise de conteúdo qualitativa, considerando um esquema analítico de cinco concepções: dado como número, resposta, representação, evidência e construção situada. Os resultados mostram que os participantes concebem o dado principalmente como resposta individual que se transforma em informação coletiva, reconhecem decisões envolvidas em sua produção, atribuem centralidade às representações e, em alguns casos, problematizam seu alcance, qualidade, limites e condições de uso. Conclui-se que a formação inicial deve situar o dado no centro da experiência didática, não apenas como insumo para organizar ou representar informações, mas como objeto de reflexão, argumentação e construção de conhecimento estatístico.
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