Um modelo matemático e várias ‘anomalias’
DOI:
https://doi.org/10.23925/1983-3156.2026.v28.e71374Palavras-chave:
Teoria antropológica do didático, Campo políticoResumo
Este artigo trata da problemática de modelagem matemática reversa, mais precisamente, com foco no despistar da tarefa que consiste em construir situações de referência inicial no sentido de prover ‘simulações’ situacionais a partir do uso do modelo matemático de cálculo do quociente eleitoral. Para isso, foram utilizados recursos teórico-metodológicos do ciclo investigativo de modelagem matemática e, de maneira mais ampla, da teoria antropológica do didático e da noção de campo destacada por Bourdieu. Os resultados encontrados, a partir de dados realísticos das eleições municipais dos anos de 2020 e 2024, confirmaram a hipótese de que a alteração do conjunto de condições institucionais criadas pelo campo político sem levar em conta a simulação de situações com o uso do modelo matemático, criou condições para geração de domínios de realidades ‘anômalos’ e, como tais, passíveis de questionamentos pela sociedade, pois embora sejam respostas legais, contrastam com o princípio da democracia pluripartidária. Em última análise, esse modelo matemático se mostra atraente para o ensino escolar por incluir vestígios das práticas sociais da regra de três, que sob as “lentes” da transposição didático-institucional, estimulam pesquisas futuras por seu papel estratégico de articulação e de integração para o ensino de outros objetos da matemática escolar, inclusive, como possível resposta à problemática de desarticulação dos saberes matemáticos de interesse da didática da matemática.
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